top of page
Solicite um orçamento

ENSINO E APRENDIZAGEM COLABORATIVOS: MÃO DUPLA NA CONSTRUÇÃO DE CONHECIMENTOS[1]

Perciliana Pena[2]

Zeila Miranda Ferreira[3]

​

Resumo: A aprendizagem colaborativa é uma exigência das novas demandas educativas para atender as necessidades de ensino e aprendizagem, bem como a modificação dos processos e práticas docentes. Cabe ao professor criar momentos de aplicação teórica, de ação e aperfeiçoamento através do trabalho em grupo, colaborativo e cooperativo, da reflexão e elaboração transformadora.

 

Palavras chave: aprendizagem colaborativa, prática pedagógica, construção de conhecimentos

 

A excessiva individualidade, característica do profissional da educação que tem dificuldades em socializar os materiais e textos que produz, é um dos problemas que os educadores precisam combater. Para se efetivar esse esforço coletivo, é necessário que o professor/pedagogo se esforce para superar o individualismo pedagógico, evitando buscar soluções isoladamente, para enfrentar e solucionar as dificuldades que encontra em sua prática docente. Wachowicz, (1996, p. 134), afirma que "o individualismo que caracteriza tão exacerbadamente a cultura ocidental e, consequentemente, o trabalho do professor, é uma grande limitação para as respostas que têm sido dadas à necessidade mais característica do nosso tempo: a socialização das consciências".

​

Nesse sentido, Collis (1998) apud Barros (1994), falando sobre aprendizagem colaborativa, diz que "ninguém é uma ilha e não há um projeto tão simples que uma só pessoa possa realizar sozinha". Lembra também que aprender com os outros, reformulando o conhecimento a partir da crítica do outro, é importante para o fortalecimento das habilidades de comunicação e raciocínio. Assim, trocar materiais didático-pedagógicos e experiências entre os educadores pode transformar a ação do professor numa prática mais reflexiva, rica, cheia de possibilidades e de aprendizagem.

​

Quando alunos e/ou professores trabalham juntos com o mesmo objetivo de aprendizagem e produzem um produto final ou chegam a uma solução comum, estão a aprender cooperativamente. E quando trabalham cooperativamente, "percebem" que podem atingir os seus objetivos somente se os outros membros do grupo também atingirem os seus, ou seja, existem objetivos de grupo.

​

Na aprendizagem, há sempre uma interação com o objeto, com o meio ambiente, e essa deve ser identificada com construção social; a importância do trabalho cooperativo na aprendizagem foi destacada na teoria de Vygotsky (1986). Ele diz que a forma de funcionamento interpsicológico tem um forte impacto no resultado do funcionamento intrapsicológico. A transformação dos processos externos em processos internos - internalização, não é vista por este autor, como mera transferência, mas sim como o resultado de uma longa série de acontecimentos de desenvolvimento; consequentemente, a realidade social tem um papel muito importante na determinação da natureza do funcionamento intrapsicológico (Baquero, 1998).

​

Existe diferença entre trabalho colaborativo e trabalho cooperativo. No trabalho colaborativo, segundo Ferreira (2003) as pessoas assumem diferentes papéis ao resolverem uma tarefa proposta, e cada um fica responsável por uma parte da mesma. Com essa divisão de trabalho, os indivíduos trabalham a maior parte do tempo, sozinhos e isolados. Pode surgir a competição como uma variável com peso e com efeitos psicossociais não muito saudáveis.

​

No trabalho cooperativo, Santoro & Borges (1998) explicam que as pessoas trabalham sempre em conjunto, num mesmo problema, em vez de separadamente, dividindo tarefas. Desse modo, cria-se um ambiente rico em descobertas mútuas, retornos recíprocos e há um processo permanente de compartilhar as idéias, pouco espaço para a competição e muito para a interação entre os alunos. Além disso, a resolução de problemas é ideal para a discussão em grupo, pois as suas soluções podem ser demonstradas, os alunos podem mostrar aos outros a lógica dos seus argumentos, pode aparecer diferentes formas de resolver o mesmo problema, uns podem ajudar aos outros a perceber e compreender conceitos básicos e todos aprendem falando, ouvindo, expondo, pensando com o outros.

​

Desse modo, percebe-se que na aprendizagem colaborativa, a aquisição de conhecimentos, habilidades ou atitudes não é um processo inerentemente individual, mas resulta da interação do grupo. Esse tipo de aprendizagem baseia-se de acordo com Barros (1994), nas seguintes premissas: a) cada participante tem conhecimentos e experiências individuais para oferecer e compartilhar com os outros membros do grupo; b) quando trabalham juntos como um time, um participante ajuda o outro a aprender; c) para construir uma equipe, cada membro do grupo deve desempenhar um papel para realizar a missão do grupo; d) o intercâmbio de papéis desempenhados no grupo adiciona valor ao trabalho da equipe porque um participante pode assumir um papel com o qual esteja familiarizado numa dada situação.

​

Portanto, a aprendizagem colaborativa pode ser entendida e deve ser adotada pelos professores, como metodologia do trabalho pedagógico, como uma estratégia educativa em que dois ou mais sujeitos constróem o seu conhecimento através da discussão, da reflexão e tomada de decisões.

 

 

Referência Bibliográfica

 

BAQUERO, Ricardo. Vygotsky e a aprendizagem escolar. Porto Alegre: Artmed, 1998.

BARROS, L.A. Sistemas de suporte a ambientes distribuídos para aprendizagem cooperativa. COPPE/UFRJ, 1994. Tese de Doutorado.

FERREIRA, S. Ambiente para aprendizagem colaborativa de computação básica e programação. Campus Global - PUCRS. 1998. Disponível na internet: http://terra.cglbal.pucrs.br/ensino. Consultado em 28/05/2003.

SANTORO, F.M. BORGES, M.R.S. Um framework para estudos de ambientes de suporte à aprendizagem cooperativa. Revista Brasileira de Informática na Educação. 4, p. 51 - 68. 1998.

VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 6ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1986.

WACHOWICZ, Lilian Anna. Ensino: do conhecimento ao pensamento. E deste para os projetos. In Educação: Caminhos e Perspectivas. Vários autores. Curitiba: Champagnat, 1996.

 

[1] Artigo publicado no site WebArtigos (https://www.webartigos.com) em 11/11/2009. Disponível em http://www.webartigos.com/articles/52526/1/Ensino-e-aprendizagem-colaborativos-mao-dupla-na-construcao-de-conhecimentos/pagina1.html>

​

[2] Mestre em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), coordenadora do curso de Pedagogia, professora e pesquisadora da Faculdade de Dracena (FADRA), Dracena, SP.

[3] Doutora em Educação pela USP, pedagoga, psicóloga, pesquisadora e professora de cursos de Graduação e de Pós-Graduação presencial e a distância da Faculdade Pitágoras e da Faculdade ESAMC de Uberlândia, MG.

bottom of page